O combate no cotidiano profissional 2018-12-07T17:51:42+00:00

COMBATE NO COTIDIANO PROFISSIONAL

Esta seção reúne relatos de experiências de assistentes sociais no combate ao racismo no exercício profissional.
Se você, assistente social, promoveu ou promove alguma ação de combate ao racismo no seu cotidiano profissional, como oficina e reuniões, compartilhe com a gente sua experiência.

Queremos saber qual foi sua ação, quantas pessoas foram abordadas nessa ação e, se puder, o envio de uma foto registrando a atividade.

É preciso preencher corretamente o formulário abaixo, respeitando as seguintes orientações:

  • Nome completo;
  • Número de registro no CRESS;
  • Cidade/Estado;
  • Relato breve da ação que promoveu (máximo de três parágrafos ou 1500 caracteres);
  • Número de pessoas aproximadamente atingidas pela ação;
  • E-mail.
  • Fotos da ação (duas no máximo)

Após envio do formulário, você receberá um aviso da Comissão da Campanha Assistentes Sociais no Combate ao Racismo sobre a possibilidade de publicação da sua experiência.


  Foi realizado Oficinas Artísticas Coletivas Socioeducativas com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto no território do Campo Limpo zona sul de São Paulo. No decorrer do processo um adolescente participante da Oficina Socioeducativa foi assassinado pela Política Militar, esse episódio mobilizou não apenas a equipe técnica, mas os outros adolescentes e jovens. A profissional que acompanhava o grupo provocou uma discussão sobre Violência do Estado/ Violência Policial, após a mesma, sugeriu que fosse escrito coletivamente o nome do falecido na parede do SMSE, onde já tinha sido construído um desenho com favelas, representando o território do Campo Limpo, no entanto, essa atividade não foi suficiente para responder as necessidades do grupo.Ao longo da atividade e também em outros momentos/dias, os adolescentes e jovens sentiram a necessidade de escreverem seus nomes, ampliando inclusive os que já estão sinalizados acima na foto, pois compreenderam que poderiam ser os próximos a serem mortos ou presos. Afirmaram, ainda, que as casas representavam sua “quebrada” e o prédios é onde os “playboy” vivem. Como essa temática causou muita angústia, ampliando a necessidade de discussão e construção de novas formas de resistência, principalmente quando um adolescente (que estava acompanhando no dia da violência policial o educando que faleceu, sofrendo inclusive a mesma, no entanto, conseguiu ser levado para o hospital para ser cuidado) começou a participar da atividade grupal. Ele ficou muito impactado, sentindo a necessidade de relatar para todos os participantes antigos e os novos que entravam o ocorrido e como por um “milagre” ele não tinha morrido junto do amigo. Como nova forma de resistência o grupo deliberou que para transformar o sofrimento e o verbo “luto” em “luta” seria necessário construir um mural em memória a morte do educando que foi assassinado, uma vez que ele faz parte da histórica de construção do grupo.Além disso, compreenderam que tem uma questão de identidade, uma vez que também vivenciam constantemente a violência policial, encarceramento em massa e o genocídio da população jovem, negra, periférica e indígena.  

Geiciane Soares da Rocha
(São Paulo / SP)

  O Grupo de Estudo das Relações Étnico-raciais no Serviço Social (GERESS) nasceu há 10 anos, em 2009, na cidade de São Paulo (SP). Surgiu a partir da necessidade de estruturar e construir no interior da categoria profissional pautas antirracistas que fomentassem o diálogo entre o projeto ético-político-profissional, a formação e a pauta de luta do movimento social negro. Em maio/2019, em comemoração aos 10 anos do grupo, aconteceu uma roda de conversa com o tema: “Racismo Institucional: reconhecimento e impactos no trabalho da (o)s assistentes sociais”, com a participação da Dra. Clélia Prestes, psicóloga do Instituto Amma Psique e Negritude e Dr. Daniel Teixeira, advogado do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT). A escolha do tema se deu em função da constatação do quanto o racismo institucional vem afetando a saúde mental da/os profissionais. O evento incluiu a exposição “Mulheres em Luta: Força e Pluralidade”, da fotógrafa Elisabete Maria Carlos Fitzgerard Furuya (Bete Nagô), com a curadoria da assistente social Cintia Neli, contou com a presença de membros do Comitê da Campanha “Assistentes Sociais no Combate ao Racismo”, do CRESS-SP. O resultado da atividade foi bastante positivo em função da marcante presença de profissionais, algo novo para o grupo, a continuidade da participação de estudantes, o que demonstra o quão necessária e atual é a discussão racial e, por fim, o debate enriquecido por falas reveladoras da percepção do racismo estrutural e institucional presente nos espaços sócio-ocupacionais.  

Grupo de Estudo das Relações Étnico-raciais no Serviço Social (GERESS)
(São Paulo (SP))

  Grupo de famílias - Serviço de Medida Socioeducativa Vila Sônia, março 2019. Aconteceu no sábado, 16 de março, o grupo com as famílias e adolescentes no Serviço de Medida Socioeducativa Vila Sônia, na ocasião estavam presentes, além das famílias de alguns dos adolescentes atendidos, representantes do CREAS Butantã e estudantes de serviço social, comunidade dos bairro adjacentes. A temática debatida no encontro foi relacionada a violência policial que ocorre em todo o Brasil, onde a polícia mata milhares de jovens negros e periféricos e que, na maioria das vezes, o resultado é o arquivamento dos casos. O debate aconteceu em cima do filme Auto de Resistência (Brasil, 2018), que mostra a situação de mães cariocas que perderam seus filhos para a violência que acontece rotineiramente nas favelas do Rio de Janeiro e que tem sido algo cada vez mais comum na cidade. O filme foi sugerido pelo assistente social Ricardo que convidou a representante militante do movimento Mães de Maio Fran e Debora, para conversa sobre o tema, elas que atuam por todo Brasil em busca de justiça pelas mortes de jovens periféricos desde maio de 2006. O documentário - Auto da Resistência, foi produzido com a intenção de nos mostrar o quão grande é a luta das famílias e enfrentamentos para obter justiça diante dos casos de assassinatos cometidos pela polícia. O documentário relata que 98% dos inquéritos foram arquivados, e com isso percebe-se como nossa justiça é falha e extremamente racista. Conforme o artigo 5º artigo da Constituição Federal 1988 (Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...). pode-se então concluir que, a polícia ao assassinar a população negra, não respeita artigos da CF88, assim violando os Direitos Humanos. No momento em que foi aberto o debate para adolescentes e famílias, foi perceptível o quão perplexo ficaram com os números e desfechos dos casos trazidos pelo documentário. Alguns usuários do serviço trouxeram suas próprias vivências, fazendo com que assim os exemplos ficassem cada vez mais nítido. A reunião provocou a reflexão de cada pessoa que estava ali presente, mostrando a indignação das famílias, racismo, violência na quebrada, trazendo relatos de pessoas que já vivenciaram situações parecidas do que foi mostrado no filme, provando que a violência policial está presente nas periferias de todas as cidades do Brasil, mostrando o preconceito enraizado que a instituição executa. Outro ponto que causou discussão no debate foi a forma com que os advogados defensores dos policiais acusados se posicionam diante das situações postas no filme e também por saber que a maioria dos responsáveis pelas mortes de jovens negros periféricos ficam impunes, continuam trabalhando normalmente e possivelmente fazendo outras vítimas. Com isso, vemos a importância de fazer o debate para as famílias que, muitas vezes, são injustiçadas por conta da violência policial no local onde moram e são coagidas a assistir tudo isso calados, tendo os seus direitos mais básicos negados por aqueles que, supostamente, deveriam proteger a sociedade. Outro ponto bastante importante para reflexão é a questão do combate ao racismo que deve ser um trabalho social feito por todos, sempre alertando a sociedade das diferentes formas de racismo que são praticadas no dia-a-dia e que estão culturalmente enraizadas na sociedade como racismo institucional, violência policial e ataque movimentos sociais.  

RICARDO VOS (VIEIRA DE OLIVEIRA SANTOS)
(SÃO PAULO / CAPITAL)

  A ação visou a discussão da temática da relações étnico-raciais na educação. O público-alvo principal foram estudantes normalistas, mas professores da rede estadual também participaram. A atividade contou, em primeiro momento com uma palestra discutindo o tema, após, foram feitas oficinas e por ultimo um debate com o coletivo de alunos negros do Instituto Federal de Educação do Rio de Janeiro, campus Pinheiral. Ocorreu no dia 06 de novembro de 2019, no Colégio Estadual Rondônia, em Volta Redonda. Essa foi uma parceria entre o Comitê Étnico Racial da Regional Médio Paraíba - Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, do qual faço parte e o NEABI Núcleo Estudos Afro-Brasileiro e Indígena do IFRJ Campus Pinheiral.  

Eliana Carmem da Silva
(Volta Redonda)

  A ação visou a discussão das relações étnico-raciais na educação. O público-alvo principal da ação foram as estudantes do curso normal, porém, tivemos a presença de professores da rede estadual de educação. A atividade contou em primeiro tempo com a discussão sobre o tema com especialista, seguido de oficinas de práticas pedagógicas e por fim um bate papo com alunos do Coletivo Negro do Instituto Federal de Educação do Rio de Janeiro, campus Pinheiral -RJ. A ação contou se realizou no dia 06 de novembro de 2019, sob parceira do Comitê Étnico Racial da Regional Médio Paraíba - Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, do qual faço parte e o IFRJ Campus Pinheiral.  

Eliana Carmem da Silva
(Volta Redonda/Rio de Janeiro)

  Sou assistente social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) do município de Maracanaú/Ceará. No ano de 2015 iniciamos o desenvolvimento de um projeto que chamamos de CINE CREAS, através do qual em datas relevantes para o trabalho do CREAS, exibíamos um curta (filme) e convidávamos um profissional externo com conhecimento e destaque no trabalho com a temática que seria trabalhada para facilitar uma discussão sobre o tema proposto. No mês de novembro o tema foi: Igualdade Racial, através do qual iniciamos uma série de discussões sobre o enfrentamento/combate ao racismo. O público alvo deste encontro inicial foram os/as profissionais da rede socioassistencial do município em tela. O Cine Creas contribuiu ricamente para uma série de reflexões sobre temáticas relevantes e caras à nossa profissão, como o enfrentamento à homofobia, à violência doméstica, ao abuso sexual de crianças e adolescentes, entre outras. O projeto referido aconteceu de forma sistemática durante os anos 2015-2017; depois disso aconteceu com periodiocidade menor.  

VERÔNICA FURTADO MONTEIRO
(MARACANAÚ/CEARÁ)

  Racismo e Saúde Mental A atividade foi desenvolvida como parte do Projeto de Intervenção, que como Assistente Social residente em Saúde Mental desenvolvi no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do tipo 3, na cidade de João Pessoa. A atividade consistiu em uma roda de conversa sobre o que é o Racismo e os impactos na saúde mental e contou com a participação da Psicóloga e Enfermeiro, também residentes. A roda de conversa teve início com a corrida dos privilégios que consistia que a cada resposta os/as participantes tinham avançar um passo, caso não tivesse sofrido situações de racismo em diversas situações e fases da vida. A atividade ocorreu em setembro de 2019 e teve boa adesão por parte dos/as usuários/as do CAPS, como também pelos funcionários do serviço.  

Elisabete Vitorino Vieira
(João Pessoa/PB)

  Este ano tive a oportunidade de ser convida para participar do projeto sobre o mês da Consciência Negra em 2 unidades escolas municipais do Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Itaboraí sendo que em uma dessas eu pude colocar em prática meu projeto (meu cabelo, minha identidade) que tem por objetivo a valorização e exaltação da beleza e cultura afro brasileira. Como foi uma unidade escolar do segmento fundamental apresentei a história (BONECAS DA VÓ MARIA) disponível no site do banco do Itaú. Portanto essa história traz a valorização da cultura e exalta a beleza da população negra passado de geração a geração através da sua matriarca. Já na segunda unidade escolar participei de um evento mais amplo denominado (AFROFEST) que foi uma tarde de comemoração ao dia da Consciência Negra, neste evento tive a oportunidade de fazer parte da comissão julgadora do desfile afro FEMININO E MASCULINO além das apresentações e realizações vários trabalhos sobre a cultura afro. É MUITO TRANSFORMADOR E GRATIFICANDO PODER VER NO OLHAR DAS CRIANÇAS PRINCIPALMENTE E DE TODOS OS ATORES ENVOLVIDOS COMO ESSE MOVIMENTO DE COMBATE AO RACISMO SE FAZ NECESSÁRIO. PODEMOS CONCLUIR QUE APÓS ESSE DEBATE EXISTE UM SENTIMENTO DE IDENTIFICAÇÃO E PERTENCIMENTO CULTURA DA AFRO BRASILEIRA.  

Tabatta Silva dos Santos
(Rio de Janeiro )

  Atuo na Subgerência de Formação e Pesquisa (Sufop) do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado do Espírito Santo (Iases) e por perceber a necessidade de reflexão sobre a temática, propomos o curso intitulado "A Questão das Relações Étnico-Racial e a Política de Socioeducação" que tem como objetivo geral: Oferecer subsídios para a inclusão e fortalecimento do debate da questão étnico-racial contribuindo para uma formação profissional antirracista, reconhecendo o significado sociohistórico do debate e sua estreita relação com a política de socioeducação. O curso tem uma carga horária de 40h e tem a participação de 50 servidores do Iases, sendo eles: agentes socioeducativos, assistentes sociais, pedagogos, psicólogos, assistentes jurídicos e gestores. Os objetivos específicos são: Evidenciar a necessidade sociohistórica do debate da questão étnico-racial, com vista a impulsionar a criação de análise crítica sobre a seletividade do público da política de socioeducação; Direcionar a formação permanente dos profissionais da política de socioeducação, articulando trabalho e formação; Estimular a produção de conhecimento sobre o fazer profissional na socioeducação e sua relação com o debate étnico-racial; Contribuir para que os servidores tenham uma visão ampla de seu papel no combate ao racismo e na violência institucional; Evidenciar o processo de segregação, encarceramento e extermínio da juventude negra e pensar estratégias e ações integradas de superação desta realidade; Estimular a promoção de ações afirmativas para os sujeitos da política de socioeducação; Promover a humanização do atendimento aos adolescentes e jovens em cumprimento e/ou egressos de medidas socioeducativas. Os conteúdos abordados são: Emergência da noção de raça, etnia, identidade e racismo); A construção histórica das “Classes Perigosas”: operacionalizando o racismo desde a diáspora africana; A articulação entre o racismo e as outras opressões (Interseccionalidade); África: a história não contada; O Racismo e suas manifestações na sociedade brasileira na contemporaneidade (racismo estrutural, institucional, recreativo, religioso, etc.); Biopolítica e Necropolítica; Estatuto da Igualdade Racial Políticas Públicas, canais de denúncia e Ações Afirmativas; A relação entre o Racismo e o Sistema Econômico; Espaços Urbanos, Racismo e Conflitos Territoriais (Desigualdades e Relações Étnico-Raciais); A Política de Segurança Pública e o Racismo; A questão étnico-racial e a política de socioeducação. Os professores convidados são: pesquisadores, docentes de Universidades, conselheiros de direitos e de conselhos profissionais, gestores de políticas públicas e servidores das políticas públicas setoriais. Os servidores tem apresentado uma avaliação muito positiva do curso, segue abaixo algumas delas: *Renata Lopes Pinto Ribeiro - “Foi uma formação para a vida e também um dos debates mais ricos que já participei no Iases. A qualidade dos professores, os exemplos e as dinâmicas experimentados junto com os colegas nos permitem enriquecer as práticas da socioeducação”. *Miriam Barbosa - “A escolha dos professores para ministrar as aulas foi de fundamental importância para o enriquecimento do debate, não apenas pelo domínio do assunto, mas pela experiência pessoal de cada um”. *Andressa Veloso – “Um curso histórico. Uma aula histórica!”. *Augusto Gomes – “Estou muito feliz em poder adquirir conhecimento com vocês. Curso intenso, reflexivo e desafiador. Turma maravilhosa!”. *Esdras Roberta – “Que aula! Conhecimento, intensidade e contexto! Que tenhamos mais com o mesmo nível histórico e pedagógico. Esperamos que este contribua para a eliminação do racismo no sistema socioeducativo e nos impulsione na promoção dos direitos humanos dos adolescentes e jovens sujeitos desta política e suas famílias.  

POLLYANNA LABETA IACK
(VITÓRIA/ESPÍRITO SANTO)

  Sou assistente social da Unidade de Internação Feminina do estado de Alagoas onde acompanhamos adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas. Na unidade, fomentamos cotidianamente, através dos atendimentos sistemáticos e assistemáticos e dos projetos desenvolvidos na UIF (GAROTA FLORESCER; BANDA DE PERCUSSÃO AFRODARA; ARTE, AMOR E SABOR; Coco de roda Odara) as descobertas de suas origens, empoderamento cultural, social, reconhecimento enquanto detentoras de direitos, sendo importante destacar que o público atendido é em sua maioria de adolescentes negras, oriundas dos bairros periféricos. No que se refere ao combate ao racismo, a temática vem sendo discutida ao longo da existência da UIF a partir da Banda de percussão AFRODARA que faz elas se reconhecerem como negras, não apenas pela cor, mas pela questão histórico cultural, através das aulas, rodas de conversa, aulas de campo a Serra da Barriga e apresentações da banda no dia da consciência Negra. Após participação no Curso de Extensão do CRESS/AL, com a construção de um projeto de intervenção com essa discussão, estamos realizando novas atividades com as adolescentes, trazendo as biografias de negros de destaques na sociedade de uma forma geral mostrando que o negro era e ainda é marginalizado, buscando despertar nelas o interesse em serem multiplicadoras de ações de combate ao racismo além de reconhecerem suas ancestralidades para que possam verdadeiramente e firmemente não serem vítimas de situações de preconceitos étnico-raciais, tampouco, praticantes.  

Luise Lima Fonseca dos Santos
(Maceió)

  Realizamos, nos dias 27, 28 e 29 de maio, a VIII Semana de Serviço Social da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande). O conteúdo dos debates (palestras e mesas redondas) girou em torno do tema "Assistentes Sociais no Combate ao Racismo". Destaque para a mesa realizada com esse tema, em que contou com a participação das professoras doutoras Zelma Madeira (Universidade Estadual do Ceará) e Zuleide Queiroz (Universidade Regional do Cariri). O evento oportunizou reflexões e reafirmação do posicionamento ético contra o racismo em nossa sociedade.  

ANDRÉ DE MENEZES GONÇALVES
(SOUSA-PB)

  No dia 15 de maio de 2019, foi realizado o Seminário em comemoração ao Dia do/a Assistente Social, tendo como temas centrais os seguintes: "assistentes sociais contra o racismo: se cortam direitos, quem é preta e pobre sente primeiro" e “as atribuições e competências do/a assistente social”. Este evento foi organizado pela câmara técnica formada pelos assistentes sociais da secretaria do trabalho e assistência social (Setas), que nos apoiou em tudo, em parceria com a Prefeitura Municipal de Ibiapina. O evento foi realizado na Câmara dos Vereadores de Ibiapina, teve como público-alvo todos os assistentes sociais do município e estudantes de Serviço Social das faculdades da região norte, além da rede socioassistencial do município. Foi um momento importantíssimo para dialogarmos com a categoria sobre esse tema tão relevante e tão necessário para o nosso cotidiano. O conteúdo exposto foi baseado nos materiais disponibilizado por esta plataforma, além de materiais disponibilizado pelo CFESS-CRESS.  

GLADSTON FERREIRA DA SILVA
(IBIAPINA/CE)

  Este relato se trata de um projeto de intervenção realizado pelas residentes de Serviço Social do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES), no Dia do/a Assistente Social, para falar da história da profissão, as pautas que defendemos e debater sobre a campanha do triênio (Assistentes Sociais no Combate ao Racismo). Usamos como base a árvore criada por Arthur Bispo do Rosário, apresentada na edição de 2011 do Código de Ética do Serviço Social. Trabalhamos com palavras que expressam as lutas da profissão e que pudessem gerar um debate de total compreensão aos/às usuários/usuárias do SUS que acessam a instituição na qual estamos inseridas. A equipe de residentes em Serviço Social realizou a atividade nos quartos dos/das usuários internados, inicialmente contando sobre a história da profissão, enfatizando o momento da virada em que assumimos uma defesa à classe trabalhadora (explicando em detalhes o que é esta categoria e refletindo sobre a necessidade de nos reconhecermos como parte dela). A partir disso, entregamos palavras aos/às usuários/usuárias para apresentarem suas próprias concepções sobre os temas que queríamos debater, os quais giravam em torno do combate ao racismo e qualquer outro tipo de opressão, direitos da classe trabalhadora e o compromisso do Serviço Social com os/as usuários/usuárias. Em todos os quartos os debates foram incríveis e a maioria dos/das usuários/usuárias participantes passaram a se apropriar do termo classe trabalhadora e, ao falar sobre o racismo, os/as usuários/usuárias negros e negras se posicionavam, contando suas experiências cotidianas, reforçando, direta e indiretamente, o racismo estrutural que atravessa a sociedade.  

KARINA MENDES VICENTE RAMOS
(CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - ES)

  A experiência abaixo mencionada ocorreu no Centro de Referência para pessoas em Situação de Rua - Centro Pop de Natal (RN). Trata-se de um projeto de intervenção de estágio supervisionado II do curso de Serviço Social da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) denominado "PERGUNTAR A COR NÃO OFENDE": A IMPORTÂNCIA DO DEBATE ÉTNICO-RACIAL DO TRABALHO PROFISSIONAL JUNTO A POPULAÇÃO DE RUA" do estudante Luis Inácio da S. Medeiros, sob a supervisão da assistente social Luciane de Cássia Souza. Realizado entre fevereiro e maio de 2019, o projeto consistiu em 3 (três) atividades: 1º - A inclusão do quesito raça/cor nos prontuários elaborados para admissão de usuários novos no serviço; 2º - Roda de Conversa facilitada pelo assistente social João Paulo Diogo com a equipe multidisciplinar sobre a importância da coleta de dados sobre raça/cor na politica da assistência social; 3º - Roda de Conversa com os usuários do serviço, onde foi exibido um vídeo ilustrando os dados sobre as desigualdades entre negros e brancos no Brasil, em que provocamos os participantes para falar sobre preconceito racial e discriminações presenciado e/ou vivenciados. Nessas ações, percebemos que há dificuldade entre os trabalhadores (usuários e equipe multidisciplinar) de se auto-reconhecer enquanto negros e negras. Segundo a nossa avaliação isso ocorre devido a associação negativa que a construção cultural impõe sobre a cor negra. Ex.: "Serviço de preto" (sinônimo de Incompetência), "Branco correndo na rua está atrasado, preto correndo na rua é ladrão" (associado a crime); Avaliamos também que o forte caráter do racismo institucional que marca a política de assistência social com o desfinanciamento e a precarização das condições de trabalho haja vista seu público-alvo serem as pessoas pobres majoritariamente negras.  

Luciane de Cássia Souza
(Natal-RN)

  Essa foi uma palestra ministrada para um grupo de Jovens do município da cidade de Senhora dos Remédios, Estado de Minas Gerais, que fazem parte do Parlamento Jovem. Eles estão trabalhando, durante esse ano, o tema' Discriminação Étnico-Racial' e eu' Assistente Social do CRAS' fui convidada para falar sobre o subtema 1 - Desigualdade socioeconômica. Estavam presentes cerca de 30 jovens e adolescentes.  

SIMONY DOS REMÉDIOS DORNELAS SANTOS
(SENHORA DOS REMÉDIOS MG)

  Este relato se trata de um projeto de intervenção, realizado no campo de estágio, no programa Rito/Jovem aprendiz do Centro Cultural Escrava Anastácia em Florianópolis – SC. A realização do projeto de intervenção é atividade obrigatória no curso de Serviço Social da UFSC, e posteriormente foi delimitado como objeto de análise do meu TCC sob orientação da Drª Carla Rasane Bressan. O projeto de intervenção abordou a questão do racismo e da discriminação étnico-racial e os desdobramentos no cotidiano dos jovens, principalmente no acesso aos seus direitos básicos. Visou a trabalhar o fortalecimento da autoestima da juventude das comunidades empobrecidas da Grande Florianópolis; facilitar a compreensão e a reflexão sobre o tema questão racial e seus desdobramentos; fomentar a discussão e participação dos jovens em diferentes espaços (conselhos, coletivos, etc.); informar sobre Leis relativas as ações afirmativas. Foram realizadas quatro oficinas, nos dias 24 e 25 de maio de 2016, nos períodos matutinos e vespertino, com 82 jovens de ambos os sexos, entre 14 e 22 anos. Nas oficinas utilizou-se de materiais audiovisuais, explanação da temática, roda de conversa e material informativo, além de trabalhos em grupos com elaboração de cartazes, apresentação dos mesmos e avaliação da temática trabalhada com a presença do Coletivo de alunas/os negras/os da UFSC (Coletivo Kurima). A experiência permitiu apreender a percepção dos jovens quanto ao seu pertencimento étnico racial, demonstrou a falta do debate do tema nas diferentes instituições e espaços de socialização, sendo alguns dos exemplos o trabalho, a comunidade e a escola.  

Sandra Santos Costa
(Florianópolis - SC)

  Este trabalho se trata de uma ação realizada pelo CRAS do município de Ibiam-SC, em conjunto com a Secretaria de Educação, para a realização de uma palestra sobre o Bullying, direcionada aos pais dos alunos das escolas Eliziane Titon, E.E.B. Heriberto Hulse e CEI José Atílio Grassi no dia da Família na Escola (06/04/2019). Na oportunidade, além de trabalhar o bullying, suas implicações e a participação da família para combater esse tipo de violência, também abordamos a diferença entre Bullying e racismo, sendo essa uma “confusão” muito comum quando se aborda essa temática. A mensagem final foi de que Bullying é uma forma de violência, sendo necessário uma abordagem ampla, que envolva o corpo escolar, a família, o agredido e os agressores, além de assistência psicológica e jurídica visando promover uma mudança social conforme a Lei nº 13.185 de 2016 que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), já o Racismo é crime, conforme a Lei 7.716 de 1989 e deverá ser encaminhado às providencias cabíveis. Dessa forma, foi esclarecido a diferença entre Bullying e Racismo, que uma mesma criança pode sofrer a violência de Bullying e o crime de Racismo. Apontamos também que, na infância o racismo é sinônimo de maus tratos, desumanidade e crueldade, que precisa ser combatido em todos os âmbitos, sendo a família e a escola espaços privilegiados para combater e educar nossas crianças e famílias sobre o tema.  

Sandra Santos Costa
(Ibiam - SC)

  Sou assistente social do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), instituição que traz em sua política institucional os núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas (Neabi) e núcleo de estudos sobre gênero e diversidade (Neged). Atuando nos dois núcleos, desenvolvemos diversas ações, dentre elas: campanha de valorização da beleza de adolescentes negras, através de exposição de fotografias de estudantes negras nas redes sociais da instituição; semana da consciência negra com debate sobre África com professores de Moçambique que fizeram intercâmbio no campus; semana da diversidade, com oficinas de percussão, dança e turbantes; visita a quilombo de cidade circunvizinha; palestra de representante de rede de mulheres negras do estado; debate sobre a presença do negro nos quadrinhos. Semestralmente, organizamos um calendário de ações para que a questão racial seja trabalhada sistematicamente no campus.  

LAURA FABIANA DA SILVA CALIENTO
(SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE-PE)

  Em 2016, eu trabalhava como assistente social em um projeto social da Rede Salesiana em Niterói-RJ, e anualmente havia uma festividade de comemoração do dia da consciência negra. Contudo, adolescentes meninos, em sua maioria negros, praticamente não gostavam de participar das atividades propostas no evento. E após, diversas dinâmicas em grupo com a equipe de Serviço Social, sobre a política de segurança pública e a questão racial, elaboramos coletivamente uma apresentação para a comemoração. Nove adolescentes participaram da apresentação, que foi dividida em dois momentos. No primeiro, um dos adolescentes compôs um rap (letra abaixo) e cantou durante a apresentação, e os demais encenaram a música. Após, todos eles dançaram o funk “De ladin” do Dream Team do Passinho” e ao longo da coreografia eles foram mostrando os cartazes que confeccionaram, sobre figuras públicas negras e chamadas de reportagem com pessoas negras. Finalizaram a apresentação com a frase: “lute negro”. A atividade teve como objetivo refletir sobre suas vidas, enquanto jovens negros e moradores de favela, fortalecendo a resistência coletiva através da cultura, potencializada no rap e no funk. Com vocês, o “Som da Liberdade”, confeccionado por um adolescente negro de 15 anos de idade. Atualmente, este adolescente se apresenta em diversas rodas culturais e batalhas de rap da cidade, “É mais um negro crescendo e mais uns cinco morrendo. É isso que no Brasil está acontecendo, mas assim eu tento mudar a realidade de pouco em pouco mudando a nossa cidade. E agora eu te mostro, o que é rap de verdade e sigo na humildade. Vem comigo e muda esse é o som da liberdade, porque o negro merece seu lugar na sociedade. Chega mais e deixa eu te explicar, porque a sociedade quer nos calar. Porque eu não fico de vadiagem entretanto, tem policial que fica de pilantragem. E eu to cansado disso e eles pensam que isso me engana porque é ruim demais ver alguém de preto te seguindo quando você entra na “americanas”. É algo completamente horrível e você acha que está tudo bem, mas é repugnante quando te tratam como um ninguém. Vem comigo e muda esse é o som da liberdade porque o negro merece seu lugar na sociedade. Acaba o beat e eu falo essa é para todos os negros que morreram e eu falo que foi sofrido. Mas não é porque eu sou negro que quer dizer que eu sou bandido.” (H.G.B.A, 15 anos)  

Ionara dos Santos Fernandes
(Niterói-RJ)

  Cheguei há poucos meses na cidade de Astolfo Dutra- MG como concursada. Como havia realizado uma pós- graduação, a qual levantei a temática do racismo institucional tão presente em nossas instituições e passado por 4 anos trabalhando no Sistema Único de Saúde, me trouxe uma inquietação e desejo de mudanças dessa prática perversa. Assim que entrei em meu local de trabalho, fiz mudanças em minha sala para afirmar a todos que fossem atendidos que ali seria um lugar de Direitos a todos sem discriminação e livre de todo e qualquer preconceito raça/etnia, de religião, de gênero, de orientação sexual, de classe. Não podemos nos silenciar, precisamos combater, eliminar o racismo.  

Cintia Cristina Bonsanto Rodrigues Ramos
(Astolfo Dutra-MG)

  Em 2017, fomos convocadas para compor a Comissão de Avaliação de Fenótipo do Certame para o provimento de cargos vagos de escreventes técnico judiciário do Concurso do Tribunal de Justiça de São Paulo, que previu, pela primeira vez, reserva de vagas para aos negros. A Comissão de Avaliação foi composta por um Juiz, um Médico e um Assistente Social, do quadro do Tribunal de Justiça. São amplamente conhecidas as fraudes que ocorrem no uso indevidos das ações afirmativas. Era isso que o TJSP queria evitar. Deliberamos que era necessário fazer um acolhimento ao candidato, com perguntas básicas para promoção da interação e ambientá-lo, ainda que minimamente, no espaço do Tribunal de Justiça. Participaram da etapa mais de 700 candidatos, mas nem todos eram pretos ou pardos de acordo com os critérios do IBGE utilizados para o enquadramento nas ações afirmativas. Na breve entrevista com os candidatos, emergiram expressões da questão social ligadas ao racismo, à desigualdade, a miséria, a moradia em bairros periféricos e os dissabores oriundos de uma sociedade racista que fez da cor da pele um marco para a exclusão social. Destacamos: • A participação de pessoas de diversas partes do país, candidatos do Amazonas, de Sergipe, de Minas Gerais, do Paraná, dentre outros. Essa falta de perspectiva para o trabalho também denuncia a complexa realidade de seu local de moradia atravessada pelo racismo; • Observamos que, apesar de se tratar de um cargo que prevê ensino médio a maioria dos candidatos que se autodeclarou preto ou pardo, muitos candidatos possuíam formação em Direito e Engenharia, pela Universidade de São Paulo - Largo São Francisco, pela PUC de Campinas, pela PUC de São Paulo, e por Universidades Federais, além de pessoas com pós-graduação strictu sensu em andamento, alijadas do mercado de trabalho pela cor de sua pele, o fenótipo torna certos espaços de trabalho inacessíveis, por mais qualificado que se possa ser; Desta feita, a avalição de fenótipo nos coloca em contato com a realidade dos sujeitos inscritos nesta condição. A permanência literalmente em frente a esse sujeito, com bases teórico-metodológicas do Serviço Social nos possibilita apreender muita mais que o tom da pele e os caracteres aparentes, mas sim nos permite fazer mediações sócio-históricas que caracterizam a singularidade dos indivíduos atravessados pela questão racial.  

Thais Felipe Silva dos Santos
(São Paulo-SP)

  No dia 13/12/2018 o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município de Guará realizou a ação comunitária sobre o dia da Consciência Negra. Nos últimos tempos temos buscado alargar a perspectiva de atuação sobre a Assistência Social, incorporando elementos que intensificam ou contribuem para gerar situações de desproteções - como é o caso do racismo. Por muito tempo a Assistência Social foi (e até hoje ainda é em algumas situações) concebida apenas enquanto provisão material/benefícios, desconsiderando a potencialidade de se trabalhar questões que interpelam a vida cotidiana da população usuária como o racismo, machismo, LGBTfobia, discriminações devido a questão de classe, xenofobia, etc. Pelo fato da população negra se encontrar entre os maiores índices relacionados à falta de renda, piores condições de trabalho, o não acesso à educação, por também liderar o ranking de vítimas de violência - seja através de jovens negros assassinados violentamente; mulheres negras nas diversas situações de violência, feminicídio, etc, é tarefa de qualquer política pública compromissada com a vida humana, enfrentar essa situação. Nesse sentido, por ainda existir um abismo social imensurável para a população negra e esta se encontrar entre os piores indicadores sociais, se torna uma tarefa urgente da Assistência Social também contribuir no combate ao racismo. Exemplo dessa necessidade, é o fato do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) ter lançado uma campanha em Dezembro de 2017 intitulada "SUAS contra o racismo", por entender que a população que mais chega para a Assistência Social é a negra e que os/as profissionais precisam ter esse olhar cuidadoso de combate ao racismo. Nesse sentido, além das ações desenvolvidas ao longo do ano no grupo das famílias atendidas pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) que foram debatidas questões que faziam a reflexão étnico-racial, foi desenvolvida a Ação Comunitária para demarcar a importância do dia da Consciência Negra e a necessidade da discussão acerca desta temática racial.  

Tales Willyan Fornazier Moreira
(Guará-SP)

Compartilhe com a gente seu relato

FOTO DA AÇÃO