O combate no cotidiano profissional 2018-12-07T17:51:42+00:00

COMBATE NO COTIDIANO PROFISSIONAL

Esta seção reúne relatos de experiências de assistentes sociais no combate ao racismo no exercício profissional.
Se você, assistente social, promoveu ou promove alguma ação de combate ao racismo no seu cotidiano profissional, como oficina e reuniões, compartilhe com a gente sua experiência.

Queremos saber qual foi sua ação, quantas pessoas foram abordadas nessa ação e, se puder, o envio de uma foto registrando a atividade.

É preciso preencher corretamente o formulário abaixo, respeitando as seguintes orientações:

  • Nome completo;
  • Número de registro no CRESS;
  • Cidade/Estado;
  • Relato breve da ação que promoveu (máximo de três parágrafos ou 1500 caracteres);
  • Número de pessoas aproximadamente atingidas pela ação;
  • E-mail.
  • Fotos da ação (duas no máximo)

Após envio do formulário, você receberá um aviso da Comissão da Campanha Assistentes Sociais no Combate ao Racismo sobre a possibilidade de publicação da sua experiência.


  SOU ASSISTENTE SOCIAL DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO (IFPE), INSTITUIÇÃO QUE TRAZ EM SUA POLÍTICA INSTITUCIONAL OS NÚCLEOS DE ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS E INDÍGENAS (NEABI) E NÚCLEO DE ESTUDOS SOBRE GÊNERO E DIVERSIDADE (NEGED). ATUANDO NOS DOIS NÚCLEOS, DESENVOLVEMOS DIVERSAS AÇÕES, DENTRE ELAS: CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO DA BELEZA DE ADOLESCENTES NEGRAS, ATRAVÉS DE EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS DE ESTUDANTES NEGRAS NAS REDES SOCIAIS DA INSTITUIÇÃO; SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA COM DEBATE SOBRE ÁFRICA COM PROFESSORES DE MOÇAMBIQUE QUE FIZERAM INTERCÂMBIO NO CAMPUS; SEMANA DA DIVERSIDADE, COM OFICINAS DE PERCUSSÃO, DANÇA E TURBANTES; VISITA A QUILOMBO DE CIDADE CIRCUNVIZINHA; PALESTRA DE REPRESENTANTE DE REDE DE MULHERES NEGRAS DO ESTADO; DEBATE SOBRE A PRESENÇA DO NEGRO NOS QUADRINHOS. SEMESTRALMENTE, ORGANIZAMOS UM CALENDÁRIO DE AÇÕES PARA QUE A QUESTÃO RACIAL SEJA TRABALHADA SISTEMATICAMENTE NO CAMPUS.  

LAURA FABIANA DA SILVA CALIENTO
(SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE-PE)

  Em 2016, eu trabalhava como assistente social em um projeto social da Rede Salesiana em Niterói-RJ, e anualmente havia uma festividade de comemoração do dia da consciência negra. Contudo, adolescentes meninos, em sua maioria negros, praticamente não gostavam de participar das atividades propostas no evento. E após, diversas dinâmicas em grupo com a equipe de Serviço Social, sobre a política de segurança pública e a questão racial, elaboramos coletivamente uma apresentação para a comemoração. Nove adolescentes participaram da apresentação, que foi dividida em dois momentos. No primeiro, um dos adolescentes compôs um rap (letra abaixo) e cantou durante a apresentação, e os demais encenaram a música. Após, todos eles dançaram o funk “De ladin” do Dream Team do Passinho” e ao longo da coreografia eles foram mostrando os cartazes que confeccionaram, sobre figuras públicas negras e chamadas de reportagem com pessoas negras. Finalizaram a apresentação com a frase: “lute negro”. A atividade teve como objetivo refletir sobre suas vidas, enquanto jovens negros e moradores de favela, fortalecendo a resistência coletiva através da cultura, potencializada no rap e no funk. Com vocês, o “Som da Liberdade”, confeccionado por um adolescente negro de 15 anos de idade. Atualmente, este adolescente se apresenta em diversas rodas culturais e batalhas de rap da cidade, “É mais um negro crescendo e mais uns cinco morrendo. É isso que no Brasil está acontecendo, mas assim eu tento mudar a realidade de pouco em pouco mudando a nossa cidade. E agora eu te mostro, o que é rap de verdade e sigo na humildade. Vem comigo e muda esse é o som da liberdade, porque o negro merece seu lugar na sociedade. Chega mais e deixa eu te explicar, porque a sociedade quer nos calar. Porque eu não fico de vadiagem entretanto, tem policial que fica de pilantragem. E eu to cansado disso e eles pensam que isso me engana porque é ruim demais ver alguém de preto te seguindo quando você entra na “americanas”. É algo completamente horrível e você acha que está tudo bem, mas é repugnante quando te tratam como um ninguém. Vem comigo e muda esse é o som da liberdade porque o negro merece seu lugar na sociedade. Acaba o beat e eu falo essa é para todos os negros que morreram e eu falo que foi sofrido. Mas não é porque eu sou negro que quer dizer que eu sou bandido.” (H.G.B.A, 15 anos)  

Ionara dos Santos Fernandes
(Niterói-RJ)

  Cheguei há poucos meses na cidade de Astolfo Dutra- MG como concursada. Como havia realizado uma pós- graduação, a qual levantei a temática do racismo institucional tão presente em nossas instituições e passado por 4 anos trabalhando no Sistema Único de Saúde, me trouxe uma inquietação e desejo de mudanças dessa prática perversa. Assim que entrei em meu local de trabalho, fiz mudanças em minha sala para afirmar a todos que fossem atendidos que ali seria um lugar de Direitos a todos sem discriminação e livre de todo e qualquer preconceito raça/etnia, de religião, de gênero, de orientação sexual, de classe. Não podemos nos silenciar, precisamos combater, eliminar o racismo.  

Cintia Cristina Bonsanto Rodrigues Ramos
(Astolfo Dutra-MG)

  Em 2017, fomos convocadas para compor a Comissão de Avaliação de Fenótipo do Certame para o provimento de cargos vagos de escreventes técnico judiciário do Concurso do Tribunal de Justiça de São Paulo, que previu, pela primeira vez, reserva de vagas para aos negros. A Comissão de Avaliação foi composta por um Juiz, um Médico e um Assistente Social, do quadro do Tribunal de Justiça. São amplamente conhecidas as fraudes que ocorrem no uso indevidos das ações afirmativas. Era isso que o TJSP queria evitar. Deliberamos que era necessário fazer um acolhimento ao candidato, com perguntas básicas para promoção da interação e ambientá-lo, ainda que minimamente, no espaço do Tribunal de Justiça. Participaram da etapa mais de 700 candidatos, mas nem todos eram pretos ou pardos de acordo com os critérios do IBGE utilizados para o enquadramento nas ações afirmativas. Na breve entrevista com os candidatos, emergiram expressões da questão social ligadas ao racismo, à desigualdade, a miséria, a moradia em bairros periféricos e os dissabores oriundos de uma sociedade racista que fez da cor da pele um marco para a exclusão social. Destacamos: • A participação de pessoas de diversas partes do país, candidatos do Amazonas, de Sergipe, de Minas Gerais, do Paraná, dentre outros. Essa falta de perspectiva para o trabalho também denuncia a complexa realidade de seu local de moradia atravessada pelo racismo; • Observamos que, apesar de se tratar de um cargo que prevê ensino médio a maioria dos candidatos que se autodeclarou preto ou pardo, muitos candidatos possuíam formação em Direito e Engenharia, pela Universidade de São Paulo - Largo São Francisco, pela PUC de Campinas, pela PUC de São Paulo, e por Universidades Federais, além de pessoas com pós-graduação strictu sensu em andamento, alijadas do mercado de trabalho pela cor de sua pele, o fenótipo torna certos espaços de trabalho inacessíveis, por mais qualificado que se possa ser; Desta feita, a avalição de fenótipo nos coloca em contato com a realidade dos sujeitos inscritos nesta condição. A permanência literalmente em frente a esse sujeito, com bases teórico-metodológicas do Serviço Social nos possibilita apreender muita mais que o tom da pele e os caracteres aparentes, mas sim nos permite fazer mediações sócio-históricas que caracterizam a singularidade dos indivíduos atravessados pela questão racial.  

Thais Felipe Silva dos Santos
(São Paulo-SP)

  No dia 13/12/2018 o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município de Guará realizou a ação comunitária sobre o dia da Consciência Negra. Nos últimos tempos temos buscado alargar a perspectiva de atuação sobre a Assistência Social, incorporando elementos que intensificam ou contribuem para gerar situações de desproteções - como é o caso do racismo. Por muito tempo a Assistência Social foi (e até hoje ainda é em algumas situações) concebida apenas enquanto provisão material/benefícios, desconsiderando a potencialidade de se trabalhar questões que interpelam a vida cotidiana da população usuária como o racismo, machismo, LGBTfobia, discriminações devido a questão de classe, xenofobia, etc. Pelo fato da população negra se encontrar entre os maiores índices relacionados à falta de renda, piores condições de trabalho, o não acesso à educação, por também liderar o ranking de vítimas de violência - seja através de jovens negros assassinados violentamente; mulheres negras nas diversas situações de violência, feminicídio, etc, é tarefa de qualquer política pública compromissada com a vida humana, enfrentar essa situação. Nesse sentido, por ainda existir um abismo social imensurável para a população negra e esta se encontrar entre os piores indicadores sociais, se torna uma tarefa urgente da Assistência Social também contribuir no combate ao racismo. Exemplo dessa necessidade, é o fato do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) ter lançado uma campanha em Dezembro de 2017 intitulada "SUAS contra o racismo", por entender que a população que mais chega para a Assistência Social é a negra e que os/as profissionais precisam ter esse olhar cuidadoso de combate ao racismo. Nesse sentido, além das ações desenvolvidas ao longo do ano no grupo das famílias atendidas pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) que foram debatidas questões que faziam a reflexão étnico-racial, foi desenvolvida a Ação Comunitária para demarcar a importância do dia da Consciência Negra e a necessidade da discussão acerca desta temática racial.  

Tales Willyan Fornazier Moreira
(Guará-SP)

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