Sobre o Racismo 2020-01-03T15:01:31+00:00

VAMOS FALAR SOBRE O RACISMO

Na luta contra o racismo é importante enfatizar dados que demonstram a sua presença como um traço marcante da sociedade brasileira e dizer que isso reflete tendências mundiais de segregação e extermínio, atualizadas pela dinâmica da crise capitalista.

Nas expressões do racismo que a campanha destaca, existe um fator comum que é alarmante: O Estado brasileiro é racista. Como? Deixando de financiar serviços essenciais à maioria da população, atingindo sistematicamente o direito à vida de negros e negras brasileiros/as.

Por isso, os cartazes são as peças-chaves da campanha.

Sempre trazem um mote criativo (slogan) sobre a expressão do racismo em debate, uma fotografia que simboliza ora a violência do racismo, ora a resistência contra o racismo, e reúne os dados que comprovam que a população negra é alvo de racismo cotidianamente.

Novos cartazes serão lançados de tempos em tempos, conforme planejamento da campanha, que se encerrará em 2020.

Os temas são definidos de acordo com a Comissão Organizadora da Campanha, que recebe também sugestões dos CRESS e da categoria de assistentes sociais.

Ao todo, serão lançados ao menos oito cartazes com temáticas diferentes até o final da campanha.

EXPRESSÕES DO RACISMO

O racismo no acesso ao saneamento no Brasil

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)/Síntese de Indicadores Sociais de 2015, o percentual de pessoas negras que vivem condições precárias de saneamento, sem acesso simultâneo a água, esgoto e coleta de lixo, é quase o dobro do de pessoas brancas. Na falta de água e na sobra de esgoto transborda racismo.

O racismo contra as religiões afro-brasileiras e de matrizes africanas

Segundo um balanço do Disque 100 do ano de 2017 sobre discriminação religiosa, cerca 40% dos registros de denúncias envolvem racismo contra religiões como Umbanda, Candomblé, entre outras. Minha fé não é motivo para sua violência!

O racismo contra as mulheres negras.

Segundo o Dossiê Feminicídio: Mulheres Negras e Violência no Brasil, da Agência Patrícia Galvão, de 2015, as mulheres negras estão entre 58,86% das vítimas de violência doméstica; 53,6% das vítimas de mortalidade materna; 65,9% das vítimas de violência obstétrica; 68,8% das mulheres mortas por agressão; e 56,8% das vítimas de estupros. A violência e a dor miram gênero e cor!

Dia do/a Assistente Social 2019.

“Se cortam direitos, quem é preta e pobre sente primeiro”. O mote criativo para as comemorações do Dia do/a Assistente Social de 2019 traz a denúncia de que são mulheres pobres e negras as que mais sofrem com a regressão de direitos, vide o projeto de ‘contrarreforma’ da previdência do governo. Num diálogo direto com com a campanha de gestão (2017-2020), a peça gráfica reafirma o compromisso da categoria no combate ao racismo.

O racismo dos cortes na política de Saúde.

De acordo com dados do Ipea (2011), quase 70% da população brasileira que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) se autodeclara negra. Ou seja, quando a política é atacada, o corte na saúde sangra mais a pele negra!

O ataque à política de Assistência Social é racista.

Em 2018, 15,2 milhões de pessoas no Brasil viviam em situação extrema pobreza, segundo o IBGE. A maior parcela da população beneficiária do Bolsa Família (73%) se autodeclara preta, de acordo com dados do extinto Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome. Então são famílias pretas e pobres que estão morrendo no país, vítimas do desmantelamento das políticas sociais em curso. O corte nas políticas sociais mata de fome famílias pretas!

A política de Estado genocida contra a população negra.

Dados de 2019 do Ipea e do Fórum de Segurança confirmam: 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, maior proporção da última década. As manchetes de jornais atestam: nas periferias, todo dia, crianças e jovens negras são assassinadas. Que Estado dá carta branca pra assassinar gente preta? O brasileiro.

Preto na Educação é resistência!

Do acesso à permanência, preto na educação é sinônimo de resistência! A taxa de analfabetismo entre pessoas pretas/pardas é mais que o dobro do que entre as brancas, segundo PNAD de 2017. Mas em 2018, um dado da Andifes revelou o resultado importante das cotas raciais: pessoas pretas/pardas representaram em 2019 51,2% do total de estudantes nas universidades federais. Entretanto, somente 16% do corpo docente das universidades é negro (Inep, 2017).