O combate no cotidiano profissional 2018-12-07T17:51:42+00:00

COMBATE NO COTIDIANO PROFISSIONAL

Esta seção reúne relatos de experiências de assistentes sociais no combate ao racismo no exercício profissional.
Se você, assistente social, promoveu ou promove alguma ação de combate ao racismo no seu cotidiano profissional, como oficina e reuniões, compartilhe com a gente sua experiência.

Queremos saber qual foi sua ação, quantas pessoas foram abordadas nessa ação e, se puder, o envio de uma foto registrando a atividade.

É preciso preencher corretamente o formulário abaixo, respeitando as seguintes orientações:

  • Nome completo;
  • Número de registro no CRESS;
  • Cidade/Estado;
  • Relato breve da ação que promoveu (máximo de três parágrafos ou 1500 caracteres);
  • Número de pessoas aproximadamente atingidas pela ação;
  • E-mail.
  • Fotos da ação (duas no máximo)

Após envio do formulário, você receberá um aviso da Comissão da Campanha Assistentes Sociais no Combate ao Racismo sobre a possibilidade de publicação da sua experiência.


  Este relato se trata de um projeto de intervenção, realizado no campo de estágio, no programa Rito/Jovem aprendiz do Centro Cultural Escrava Anastácia em Florianópolis – SC. A realização do projeto de intervenção é atividade obrigatória no curso de Serviço Social da UFSC, e posteriormente foi delimitado como objeto de análise do meu TCC sob orientação da Drª Carla Rasane Bressan. O projeto de intervenção abordou a questão do racismo e da discriminação étnico-racial e os desdobramentos no cotidiano dos jovens, principalmente no acesso aos seus direitos básicos. Visou a trabalhar o fortalecimento da autoestima da juventude das comunidades empobrecidas da Grande Florianópolis; facilitar a compreensão e a reflexão sobre o tema questão racial e seus desdobramentos; fomentar a discussão e participação dos jovens em diferentes espaços (conselhos, coletivos, etc.); informar sobre Leis relativas as ações afirmativas. Foram realizadas quatro oficinas, nos dias 24 e 25 de maio de 2016, nos períodos matutinos e vespertino, com 82 jovens de ambos os sexos, entre 14 e 22 anos. Nas oficinas utilizou-se de materiais audiovisuais, explanação da temática, roda de conversa e material informativo, além de trabalhos em grupos com elaboração de cartazes, apresentação dos mesmos e avaliação da temática trabalhada com a presença do Coletivo de alunas/os negras/os da UFSC (Coletivo Kurima). A experiência permitiu apreender a percepção dos jovens quanto ao seu pertencimento étnico racial, demonstrou a falta do debate do tema nas diferentes instituições e espaços de socialização, sendo alguns dos exemplos o trabalho, a comunidade e a escola.  

Sandra Santos Costa
(Florianópolis - SC)

  Este trabalho se trata de uma ação realizada pelo CRAS do município de Ibiam-SC, em conjunto com a Secretaria de Educação, para a realização de uma palestra sobre o Bullying, direcionada aos pais dos alunos das escolas Eliziane Titon, E.E.B. Heriberto Hulse e CEI José Atílio Grassi no dia da Família na Escola (06/04/2019). Na oportunidade, além de trabalhar o bullying, suas implicações e a participação da família para combater esse tipo de violência, também abordamos a diferença entre Bullying e racismo, sendo essa uma “confusão” muito comum quando se aborda essa temática. A mensagem final foi de que Bullying é uma forma de violência, sendo necessário uma abordagem ampla, que envolva o corpo escolar, a família, o agredido e os agressores, além de assistência psicológica e jurídica visando promover uma mudança social conforme a Lei nº 13.185 de 2016 que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), já o Racismo é crime, conforme a Lei 7.716 de 1989 e deverá ser encaminhado às providencias cabíveis. Dessa forma, foi esclarecido a diferença entre Bullying e Racismo, que uma mesma criança pode sofrer a violência de Bullying e o crime de Racismo. Apontamos também que, na infância o racismo é sinônimo de maus tratos, desumanidade e crueldade, que precisa ser combatido em todos os âmbitos, sendo a família e a escola espaços privilegiados para combater e educar nossas crianças e famílias sobre o tema.  

Sandra Santos Costa
(Ibiam - SC)

  Sou assistente social do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), instituição que traz em sua política institucional os núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas (Neabi) e núcleo de estudos sobre gênero e diversidade (Neged). Atuando nos dois núcleos, desenvolvemos diversas ações, dentre elas: campanha de valorização da beleza de adolescentes negras, através de exposição de fotografias de estudantes negras nas redes sociais da instituição; semana da consciência negra com debate sobre África com professores de Moçambique que fizeram intercâmbio no campus; semana da diversidade, com oficinas de percussão, dança e turbantes; visita a quilombo de cidade circunvizinha; palestra de representante de rede de mulheres negras do estado; debate sobre a presença do negro nos quadrinhos. Semestralmente, organizamos um calendário de ações para que a questão racial seja trabalhada sistematicamente no campus.  

LAURA FABIANA DA SILVA CALIENTO
(SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE-PE)

  Em 2016, eu trabalhava como assistente social em um projeto social da Rede Salesiana em Niterói-RJ, e anualmente havia uma festividade de comemoração do dia da consciência negra. Contudo, adolescentes meninos, em sua maioria negros, praticamente não gostavam de participar das atividades propostas no evento. E após, diversas dinâmicas em grupo com a equipe de Serviço Social, sobre a política de segurança pública e a questão racial, elaboramos coletivamente uma apresentação para a comemoração. Nove adolescentes participaram da apresentação, que foi dividida em dois momentos. No primeiro, um dos adolescentes compôs um rap (letra abaixo) e cantou durante a apresentação, e os demais encenaram a música. Após, todos eles dançaram o funk “De ladin” do Dream Team do Passinho” e ao longo da coreografia eles foram mostrando os cartazes que confeccionaram, sobre figuras públicas negras e chamadas de reportagem com pessoas negras. Finalizaram a apresentação com a frase: “lute negro”. A atividade teve como objetivo refletir sobre suas vidas, enquanto jovens negros e moradores de favela, fortalecendo a resistência coletiva através da cultura, potencializada no rap e no funk. Com vocês, o “Som da Liberdade”, confeccionado por um adolescente negro de 15 anos de idade. Atualmente, este adolescente se apresenta em diversas rodas culturais e batalhas de rap da cidade, “É mais um negro crescendo e mais uns cinco morrendo. É isso que no Brasil está acontecendo, mas assim eu tento mudar a realidade de pouco em pouco mudando a nossa cidade. E agora eu te mostro, o que é rap de verdade e sigo na humildade. Vem comigo e muda esse é o som da liberdade, porque o negro merece seu lugar na sociedade. Chega mais e deixa eu te explicar, porque a sociedade quer nos calar. Porque eu não fico de vadiagem entretanto, tem policial que fica de pilantragem. E eu to cansado disso e eles pensam que isso me engana porque é ruim demais ver alguém de preto te seguindo quando você entra na “americanas”. É algo completamente horrível e você acha que está tudo bem, mas é repugnante quando te tratam como um ninguém. Vem comigo e muda esse é o som da liberdade porque o negro merece seu lugar na sociedade. Acaba o beat e eu falo essa é para todos os negros que morreram e eu falo que foi sofrido. Mas não é porque eu sou negro que quer dizer que eu sou bandido.” (H.G.B.A, 15 anos)  

Ionara dos Santos Fernandes
(Niterói-RJ)

  Cheguei há poucos meses na cidade de Astolfo Dutra- MG como concursada. Como havia realizado uma pós- graduação, a qual levantei a temática do racismo institucional tão presente em nossas instituições e passado por 4 anos trabalhando no Sistema Único de Saúde, me trouxe uma inquietação e desejo de mudanças dessa prática perversa. Assim que entrei em meu local de trabalho, fiz mudanças em minha sala para afirmar a todos que fossem atendidos que ali seria um lugar de Direitos a todos sem discriminação e livre de todo e qualquer preconceito raça/etnia, de religião, de gênero, de orientação sexual, de classe. Não podemos nos silenciar, precisamos combater, eliminar o racismo.  

Cintia Cristina Bonsanto Rodrigues Ramos
(Astolfo Dutra-MG)

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